| Visão de bebê pede atenção
Entre as preocupações dos pais com seus recém-nascidos está a qualidade visual. A apreensão é pertinente a medida em que existem fatores da gestação e do pós-parto que podem influenciar decisivamente na forma como uma criança enxergará o mundo. Especializado em tratamento de recém-nascidos, o Dr. Sérgio Kniggendorf, do HOB, apresenta, a seguir, problemas que podem se manifestar em bebês e lista, inclusive, algumas dicas para que os próprios pais observem seus filhos desde o berçário.
Qual a idade em que uma pessoa começa a apresentar problemas visuais?
Não existe uma fase específica da vida para que os problemas visuais se manifestem. Se durante a gestação a mãe passar por alguma infecção, uma toxoplasmose, uma rubéola, por exemplo, ou outra alteração viral, a visão do bebê pode ser alterada. Há possibilidade de alteração visual quando o bebê é prematuro e também alterações congênitas.
Quais são as doenças oculares que se manifestam em recém-nascidos?
Há algumas alterações que exigem cuidados imediatos que são a retinopatia da prematuridade e a catarata congênita. Porém, podem ocorrer em recém-nascidos a má formação ocular, infecções oculares e o glaucoma congênito.
Qual é o período pós-parto em que se torna possível detectar a existência de problemas visuais?
Quando o bebê é prematuro, obrigatoriamente o pediatra deve buscar a avaliação de um oftalmologista enquanto a criança está no berçário, especialmente se o peso do recém-nascido for inferior a 1,5 Kg.
Por que?
Porque nesse caso o problema que aparece é a retinopatia da prematuridade e se não for tratada de imediato, leva à cegueira, pois pode evoluir para um descolamento de retina. Ocorre que quando a criança nasce prematura a retina não completou sua fase de formação, a associação deste fator com a necessidade de oxigênio desses bebês, impede o desenvolvimento dos vasos da retina.
Existe alguma forma dos pais do bebê detectarem a necessidade da avaliação de um oftalmologista nos primeiros dias após o nascimento?
Existe em algumas situações, normalmente é o médico, o pediatra, quem vai detectar a necessidade de um exame oftalmológico no recém-nascido. Contudo, se o bebê tiver uma catarata intensa, dá para ver que a pupila está branca. Mas se não for intensa, só um médico percebe. Outro sintoma perceptível pelos pais está no tamanho do olho, podem ser diferentes um do outro. Se os pais perceberem que o bebê faz movimentos laterais e repetitivos com os olhos, o que se chama nistagmo também é razão para procurar um oftalmologista.
Um recém-nascido pode se submeter a uma cirurgia nos olhos?
Sim, há casos como o da catarata congênita, por exemplo, que o tratamento cirúrgico tem que ser imediato. Acontece que o cérebro da criança aprende a enxergar nesses primeiros momentos de vida que é quando o nervo óptico se desenvolve. A cirurgia então é fundamental.
E é como uma cirurgia de catarata em adulto?
Trata-se de cirurgia de catarata, com implante de lente também, mas os motivos por que é feita a cirurgia são diferentes do adulto. A lensectomia como é chamada a cirurgia de catarata em recém-nascido é um processo que vai capacitar o bebê a desenvolver a visão que ainda não tem, enquanto, no adulto, a cirurgia de catarata vai permitir que seja recuperado algo que a pessoa já experimentou.
Como é o nível de recuperação de tratamentos visuais em recém-nascidos?
Quando o tratamento é precoce, é simples. Na grande maioria das vezes, apresenta bons resultados.
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