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Reoperação, às vezes é preciso

O organismo humano não é um sistema estático. Esta é a grande diferença entre os seres vivos e os inanimados. É uma característica que se manifesta nas mais diversas situações e não foge à regra quando refere-se às cirurgias.
Diante de um resultado inesperado, seja por resposta orgânica insuficiente a um procedimento cirúrgico ou por evolução natural do distúrbio, o HOB adota uma filosofia de trabalho baseada na transparência e na informação ao paciente. Por ocasião do exercício da presidência da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa, em 1992, o doutor Canrobert Oliveira adotou e recomendou aos associados, de forma pioneira, a utilização do documento "Informação e Consentimento". Esse documento tem o propósito de esclarecer todo o cenário que envolve um procedimento cirúrgico e seus resultados, independente da perícia do médico.
Foi-se o tempo em que as pessoas, ao retornarem para casa, após uma consulta, no momento em que eram questionadas, respondiam aos familiares: "vou entregar meus olhos nas mãos do doutor e de Deus", por não terem nenhuma informação sobre riscos e benefícios envolvidos na terapia indicada. Mostra-se, dentro desta linha, que é fundamental no HOB a consideração e o respeito com o paciente, como um ser que, bem informado, pode tomar decisões conscientes.

Quando é necessária uma reoperação
Partindo-se do princípio que a única coisa constante e garantida, quando se trata de seres vivos, é a inconstância, a necessidade de reoperação não obedece regras. Depende, exclusivamente, da resposta do organismo ao ato operatório. São exceções, mas há casos em que o médico está diante de um paciente examinado e tecnicamente apto à cirurgia e, após a operação, apresenta resposta aquém da expectativa. Nesses casos, ao comparecer às revisões programadas é possível detectar a reação inadequada ou a regressão do efeito cirúrgico. Em ambos os casos, a reoperação estará indicada.

Objetivo da "Informação e Consentimento"
O HOB tem interesse que seus pacientes vivam a atualidade. É importante a opinião pessoal sobre a situação, pois mesmo sabendo que o médico tem a responsabilidade sobre a cirurgia, o paciente deve ter conhecimento sobre a técnica utilizada, as conseqüências, os riscos e os benefícios. Uma cirurgia é uma interação - ou seja, o médico age e o paciente reage -, quando não houve imperícia, nem negligência, ainda assim, pode haver um resultado indesejado dependendo do organismo do paciente. Nós entendemos que cabe ao médico informar o paciente.

Reoperação e cobertura
O HOB segue a seguinte política de ação, quando se trata, por exemplo, de uma cirurgia de grau: até seis meses após as revisões programadas, sendo detectado algum grau de miopia, astigmatismo ou hipermetropia, realizamos a segunda cirurgia sem acionar o plano de saúde, ou quando se tratar de um paciente particular, sem ônus.

Importância das revisões
É possível fazer um alerta com um exemplo real e recente. Tivemos um paciente que ao comparecer normalmente à primeira revisão posterior a cirurgia de miopia, recebeu a avaliação conforme sua expectativa e relaxou. Deixou de vir às outras revisões programadas - são cerca de quatro durante o período de um ano. Muito tempo depois, ao ser reprovado em um exame do Detran para renovar a carteira de motorista, retornou preocupado. Um dos olhos estava ótimo, sem grau, o outro havia desenvolvido um astigmatismo e ele não percebeu. Se o paciente tivesse comparecido às revisões programadas, o astigmatismo teria sido detectado e teria sido feita a reoperação do olho com astigmatismo, dentro do período, sem qualquer preocupação quanto à cobertura de seu plano de saúde. Além disso, o paciente teria renovado sua carteira de motorista sem a reprovação no teste visual.

Operação única
É preciso esclarecer de que forma os problemas de visão se manifestam e suas particularidades no momento de tratá-los. Por exemplo, não existe uma técnica única capaz de corrigir simultaneamente problemas de grau que afetam a visão do mesmo olho para perto e longe. A anomalia que perturba para longe depende da conformação do globo ocular e a que afeta para perto depende do funcionamento do cristalino.

Problemas refrativos
A miopia apresenta uma conformação que afeta a visão para longe, mas a favorece para perto. O astigmatismo tem outra conformação, pois afeta a visão para longe e para perto e, a hipermetropia também é diferente, porque dificulta a visão mais para perto e não perturba, tanto quanto a miopia, para longe. Já a "vista cansada" é um problema que não tem relação com a conformação do globo ocular, mas com o fenômeno da acomodação que muda a curvatura do cristalino de acordo com as diversas distâncias em que estão os objetivos de foco em relação ao olho. Quanto mais próximo, mais curvo fica o cristalino para focar a imagem na retina. Esse problema aparece normalmente por volta dos 40 anos de idade quando o sistema de auto-foco do olho começa a se aposentar, aos 50 anos praticamente se aposenta de vez.

Boas soluções
A báscula ou a monovisão é o procedimento cirúrgico capaz de regular o foco de um olho para longe e do outro para perto. É uma opção que pode atender o paciente. Mas apesar dessa opção cirúrgica vir mostrando-se satisfatória para a grande maioria daqueles que a fazem, temos de explicar ao paciente que, caso a resposta orgânica do olho responsável para a visão de longa distância não atingir seu objetivo, não haverá satisfação total e esse olho terá que ser reoperado. É importante entender também, e esclarecer é uma das missões do médico, que não há regras fixas quando se trata de organismo humano. Cada caso deve ser analisado e tratado de forma personalizada, exatamente como fazemos no HOB.

 

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