| Catarata infantil tem tratamento e não pode esperar
Brasília, 18/10/06 - A cada 10 mil nascimentos, em torno de 6 crianças são portadoras de catarata. Trata-se da catarata congênita ou infantil, que tem a cirurgia como único tratamento eficaz. Apesar de alguns oftalmologistas ainda orientarem aos pais a aguardar até que a criança chegue aos dois anos de idade para que a cirurgia seja realizada, a agilidade em iniciar o tratamento é o que determinará a qualidade da visão daquela pessoa para o resto da vida.
Estima-se que hoje, no mundo, cerca de 1,5 milhão de crianças sejam deficientes visuais. A catarata congênita responde pelo motivo de 10% a 20% desses casos, e representa a principal causa de cegueira tratável na infância.
A criança tem pressa, diz o oftalmologista Leonardo Akaishi, especialista em catarata infantil no Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB). Ele explica que o cérebro do bebê precisa ser estimulado para formar os registros das imagens e isso acontece através da visão. Como a catarata se caracteriza pelo fato da lente natural do olho, o cristalino, tornar-se amarelado e opaco, a percepção dos objetos é prejudicada nessas situações e acarreta prejuízos irreversíveis na visão quando o tratamento não é feito no tempo adequado.
Esse tempo deve ser imediato ao diagnóstico de catarata, para permitir que as imagens se formem perfeitamente no cérebro da criança e ela aprenda corretamente a ver e definir os objetos. Dois anos de idade não é o ideal quando o problema se instala bem antes disso, diz o médico que já operou bebês com 6 dias e confirma a excelente resposta do procedimento relacionado ao estímulo que o cérebro passou a receber.
Limite - Quando se passa muito tempo para o tratamento da catarata infantil, se estabelece a ambliopia, que é a baixa qualidade de visão por falta de estímulo e, em alguns casos, não há mais o que ser feito, e a pessoa passa a ter a vida limitada por uma deficiência que se assemelha à cegueira.
A catarata congênita é detectada, na maioria dos casos, com a aplicação do teste do olhinho nos primeiros dias de vida.
As crianças mais suscetíveis ao problema são os recém-nascidos de mães que tiveram alguma infecção na gestação, entre as quais as causadas por citomegalovírus, toxoplasmose e, especialmente, rubéola.
Cuidados - Mesmo que a criança não tenha passado por uma gestação com esses riscos, a avaliação precoce é fundamental, orienta a oftalmologista Virgínia Cury, especializada no atendimento de pacientes submetidos à cirurgia de catarata congênita. A primeira avaliação precisa ser feita em, no máximo, dois meses de vida. Mesmo que a criança não apresente nenhum problema, nos períodos de seis meses, um ano, um ano e meio de vida e dois anos, é importante manter a atenção aos olhos do bebê com consultas a um oftalmologista.
Cirurgia - No caso de ser detectado, pelo médico, algum sinal de catarata, será feita uma averiguação mais cautelosa e se estiver indicada a cirurgia para os dois olhos, o procedimento será de remoção do cristalino sem implante de lente, "porque o cérebro não terá preferência por nenhum dos olhos e aceitará o aprendizado com os dois igualmente", diz Virgínia. No entanto, a médica explica que quando a indicação cirúrgica aplica-se a somente um dos olhos, a lente intra-ocular com grau faz-se necessária uma vez que é fundamental favorecer o olho operado, pois é mais cômodo para a criança utilizar somente o olho não operado, deixando o outro sem estímulo visual, o que a prejudicaria no aprendizado igualmente.
Após a realização da cirurgia, a criança deverá fazer um acompanhamento oftalmológico por maior período de tempo do que o recomendado para adultos. Nessa fase, o médico irá avaliar a necessidade de prescrição de óculos ou tampão, a urgência em efetuar as trocas de lente do óculos e, inclusive, o rendimento escolar. Em casos de implante de lente intra-ocular, o acompanhamento freqüente também é necessário, tendo em vista que essa lente deverá ser substituída pela lente definitiva na fase adulta, descreve.
Assessoria de Comunicação do HOB
Contatos: Teresa Cristina Machado - Tels.: (61) 3225 14 52 / 9983 9395
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