| Pressão intra-ocular baixa não elimina risco de glaucoma
Brasília, dezembro/06 - Entre 10% a 15% dos casos de glaucoma diagnosticados em clínicas oftalmológicas brasileiras são de pessoas que, no exame de pressão intra-ocular, apresentaram resultados considerados normais, ou seja, de 10 a 21 mmHg (milímetros de Mercúrio).
Esses casos são incluídos em um grupo de portadores de glaucoma que apresenta fatores de risco adicionais em relação às demais formas da doença e, por isso, exige atenção específica do médico na avaliação dos exames, explica o especialista da área no Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Paulo Comegno.
O médico detalha que podem pertencer a este grupo as pessoas com mais de 60 anos de idade, os portadores de disfunções circulatórias como hipotensão arterial, arritmias cardíacas, doenças auto-imunes, as vítimas de enxaqueca freqüente, do fenômeno de Raynaud caracterizado pela hipersensibilidade ao frio (temperatura do corpo é baixa nas extremidades tornando-as arroxeadas) e de apnéia do sono, os pacientes de discrasias sangüíneas e aqueles que apresentam disfunção na artéria carótida capaz de afetar a irrigação do nervo óptico.
Alerta - Sob essa avaliação, o oftalmologista do HOB alerta para o fato de que triagens e exames de pressão intra-ocular realizados em mutirões, campanhas e locais de grande tráfego de pessoas, apesar da proposta positiva de chamar a atenção ao problema, não emitem resultados tranqüilizadores por completo, uma vez que “o glaucoma de baixa pressão é evidenciado somente no exame de fundo de olho”. Segundo o médico, a chance de diagnosticar o glaucoma a partir de uma única medida de pressão ocular é de apenas 2,5%.
Comegno atenta ainda para o fato de que a ocorrência do glaucoma de baixa pressão não é linear entre os humanos. Enquanto, no Brasil, a média situa-se em até 15% dos casos detectados, no Japão, esse glaucoma é verificado em até 90% das ocorrências da doença. “Essa constatação é importante para o médico e para o paciente com descendência oriental”, sublinha.
Cientificamente reconhecido como a primeira causa de cegueira irreversível no mundo o glaucoma acomete, em suas variadas formas, o equivalente a 1% da população do planeta e é uma doença de difícil diagnóstico. Os exames rotineiros ao oftalmologista ainda são a melhor e única forma de impedir que o glaucoma seja detectado tardiamente, após grande comprometimento da visão, pois não há como reverter esse processo, aconselha Comegno.
Lesão - O glaucoma é definido como uma neuropatia crônica progressiva com lesão do nervo óptico que acarreta defeitos no campo visual. Nesse contexto, assinala o oftalmologista, a pressão intra-ocular é o maior fator de risco conhecido, mas não o único.
Ele acrescenta que, além do exame de fundo de olho e de curva de pressão, a campimetria computadorizada também é recomendada para averiguação da presença do glaucoma.
Quando detectado precocemente, a medicina oftalmológica dispõe de recursos terapêuticos capazes de impedir ou retardar a progressão dos danos ocasionados pelo glaucoma. Conforme Paulo Comegno, esses tratamentos são realizados por três sistemas, com laser, medicamentoso (colírios) ou por meio de cirurgias.
Assessoria de Comunicação do HOB
Contatos: Teresa Cristina Machado - Tels.: (61) 3225 14 52 / 9983 9395
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