| Cirurgia de pálpebra: estética ou reconstrutiva?
Brasília, 15/1/07 – Quando uma cirurgia plástica é reconstrutiva e quando é estética? A dúvida faz parte da consulta de quase 90% das pessoas que procuram clínicas oftalmológicas para tratar de problemas da face localizados na região dos olhos.
Entender as diferenças que levam um tipo de cirurgia ser obrigatoriamente coberta pelos planos de saúde e o outro, não, reduz sensivelmente a confusão sobre os problemas estéticos e funcionais dessa área do rosto, sublinha o especialista em plástica órbito-palpebral do HOB (Hospital Oftalmológico de Brasília), Sérgio Feijó.
A cirurgia reparadora ou reconstrutiva é realizada para corrigir uma função do organismo humano que compromete a visão. Entre esses procedimentos, o médico constata que a maioria dos casos de consultório é de diagnóstico de dermatocalase, seguido de ptose e tumores.
É na dermatocalase que se concentram também as maiores dificuldades de entendimento do paciente sobre cirurgia estética e reconstrutiva. A patologia caracteriza-se pelo excesso de pele palpebral, capaz de comprometer o campo visual, trata-se de uma flacidez, para a qual não há tratamento clínico, segundo Feijó. “A cirurgia de dermatocalase tem o objetivo de retirar o acúmulo de pele prejudicial e é diferente da reparação estética que visa remover a pele ou gordura acumuladas na mesma região em conseqüência da idade”, explica
A ptose também impede o total aproveitamento do campo visual. Essa patologia, segundo o médico do HOB, é tratada com uma cirurgia direcionada a encurtar ou alongar a musculatura da pálpebra. A ptose ocasiona a diminuição da fenda palpebral, reduz a distância entre a borda da pálpebra inferior e a borda superior. O paciente de ptose não abre o olho normalmente.
Quanto aos tumores de pálpebra, na maior parte benignos, conforme o médico, também integram a relação de patologias que necessitam cirurgia reconstrutiva.
Feijó atenta para o fato de que as patologias órbito-palpebrais aparecem em diferentes estágios da vida, podendo ser congênitas - desde o nascimento -, ou conseqüentes de traumas, acidentes, adquiridas com a idade ou, inclusive, causadas por atos médicos.
Estética - A cirurgia estética mais comum nessa região da face é a blefaroplastia, diz Sérgio Feijó. O procedimento é procurado, atualmente tanto por homens quanto por mulheres. Hoje, o médico calcula que cerca de 15% das consultas de caráter estético são para pacientes do sexo masculino, enquanto, em 1985, este índice não passava de 3%.
Esta cirurgia destina-se a corrigir uma má formação adquirida com a idade, sem prejuízo de qualquer função fundamental à visão, descreve.
Recuperação – As cirurgias plásticas órbito-palpebrais reconstrutivas e estéticas não apresentam restrições significativas a nenhum perfil especial de paciente. Seguem processos semelhantes para sua execução, mas exigem do operado, seja de um ou de 90 anos de idade, a mesma atenção para a recuperação.
Conforme Sérgio Feijó, ambas são realizada com anestesia local e sedação, o que favorece especialmente aos pacientes idosos que necessitam fazer reparação. Quando o problema se faz presente nos dois olhos, a cirurgia é feita simultaneamente, “melhora o ponto de equilíbrio”, argumenta.
Quanto ao pós-operatório, Feijó observa que apesar da cirurgia ser realizada em curto espaço de tempo e o paciente sair do hospital no mesmo dia, sem necessidade de internação, “o repouso absoluto por 24 horas e, dependendo do caso, por até uma semana, não pode ser deixado de lado pelo paciente”.
Nesse período, algumas regras precisam ser cumpridas, segundo o cirurgião que alinha entre elas as orientações para permanecer deitado durante o repouso, não assistir televisão por cerca de três dias, não tomar banho muito quente e não tomar aspirina.
Seguidas as orientações médicas, uma semana após a cirurgia são retirados os pontos e a recuperação total, incluindo desaparecimento de manchas, acontece em média dois meses após o procedimento.
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