| Manias e hábitos entram no plano da cirurgia de catarata
Para o oftalmologista brasiliense Leonardo Akaishi a chave do bom resultado de uma cirurgia de catarata está na personalização das lentes que serão implantadas. Essa customização só tem sucesso se o médico conhecer as manias e os hábitos do paciente antes de planejar a operação. “CustomMatch” é o método criado pelo brasileiro e que será lançado no evento oftalmológico Bringing You The Future, no Canadá, entre 15 e 18 de março.
Brasília, 14/03/07 – Não existe uma lente padrão que possa ser implantada indistintamente em todos os pacientes de catarata. A partir dessa certeza o oftalmologista brasiliense Leonardo Akaishi desenvolveu um método para comprovar sua tese. O que passou a chamar de “CustomMatch” será apresentado mundialmente, no Bringing You The Future, no Canadá entre os dias 15 e 18 de março, com resultados obtidos em dois anos de pesquisa sobre adaptação após o implante de lentes multifocais.
Experiência - Akaishi mostrará o novo método com a autoridade de quem é reconhecido, pelos próprios fabricantes de lentes, como o profissional que individualmente implantou o maior número de lentes multifocais intra-oculares no mundo. Entre seus pacientes, 96% deixou de usar óculos depois da cirurgia de catarata personalizada. Esse resultado tem gerado curiosidade entre médicos brasileiros e estrangeiros que constantemente visitam do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB) para acompanhar os procedimentos de Akaishi.
Liberdade - Dirigir de dia e à noite, jogar cartas, ler, tocar piano, assistir televisão, ir ao cinema, fazer artesanato, divertir-se ou trabalhar em frente ao computador, praticar esportes sem óculos e sob quaisquer condições de luminosidade é possível. Mas saber se essas atividades fazem parte da rotina do paciente é fundamental para o sucesso da cirurgia de catarata, assegura Akaishi ao frisar que vida normal com mais independência, segurança e liberdade é o que a combinação de lentes intra-oculares de diferentes resoluções permite aos pacientes operados com o método “CostumMatch”.
Trata-se de uma associação de lentes implantadas em substituição ao cristalino no ato da cirurgia para eliminação da catarata, explica o oftalmologista.
A catarata provoca a opacificação do cristalino, lente natural do olho que focaliza a luz conduzida da pupila até a retina para formar a imagem. O olho jovem permite esse foco nítido. Com o passar dos anos, próximo dos 60, a luz já não chega tão clara e a visão fica borrada em conseqüência da opacificação do cristalino que se torna amarelado. Esse fenômeno é a catarata e faz com que os raios de luz se espalhem, alterando as zonas de foco. De acordo com Akaishi, o único tratamento existente é a cirurgia de remoção do cristalino e sua substituição por uma lente artificial. “Quando não tratada, a catarata pode levar à cegueira”, alerta.
Panorama - Recente estudo da Organização Mundial da Saúde aponta que chegam a 20 milhões as pessoas cegas dos dois olhos no planeta por falta de tratamento da catarata. A doença, que é a maior causa de cegueira reversível da atualidade, acomete cerca de dois milhões de pessoas no Brasil e, segundo a Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Oculares, faz com que 350 mil pessoas sejam operadas no País anualmente.
As lentes de implante intra-ocular utilizadas na cirurgia de catarata evoluíram consideravelmente nos últimos anos melhorando inclusive aspectos da vida do paciente como a tranqüilidade de manter hábitos e adquirir novos, diz o médico. Ele acrescenta que o nível de segurança e independência que as multifocais implantadas têm proporcionado é muito representativo.
A partir da existência dos novos recursos tecnológicos atribuídos às lentes de implante intra-ocular, Akaishi vem obtendo soluções ainda mais satisfatórias para o paciente com a associação de lentes com diferentes zonas focais combinadas de forma a atender a expectativa de acordo com sua rotina e com as atividades que gosta de fazer. Ele observa, no entanto, que o estudo pré-operatório sobre o paciente, seus hábitos e até manias, é fundamental e que o “CustomMatch” não é tratamento recomendado indiscriminadamente a todos os pacientes de catarata.
O paciente ideal, segundo o médico, é o que tem baixo astigmatismo, bom potencial de visão e não apresenta doença prévia.
Retomada - O tenente-brigadeiro-do-ar, Ronald Eduardo Jaeckel, fez a cirurgia de catarata no final de 2006. Para ele, que foi piloto dos caças Mirage, a qualidade da visão sempre teve um significado acima da média. Se soubesse da rapidez e do resultado, teria feito a cirurgia antes, diz o aviador ao comentar a sensação de que a cirurgia durou apenas três segundos. “Foi tudo muito rápido e voltei a enxergar com muita nitidez, a ler sem óculos inclusive”, conta Jaeckel que planeja voltar a desenhar com bico de pena, uma das atividades que lhe dá grande satisfação desde a adolescência e não estava mais conseguindo realizar. “Exige presteza e detalhamento”, declara.
O crochê e o prazer da leitura já estavam fora das atividades de Marilde Terra Peixoto há bastante tempo, quando resolveu que faria a cirurgia de catarata. Foi ao HOB, resolveu tudo sozinha e marcou a operação para início de outubro de 2006, preocupada com o programa de férias da família. “Há limites de tempo para tomar sol e entrar no mar e eu queria poder fazer tudo”, conta Marilde ao relatar que logo na cirurgia do primeiro olho passou a assistir televisão sem óculos. Ela corrigiu simultaneamente a hipermetropia de 6,5 graus. Além da hipermetropia, conviver com a catarata foi ficando complicado, tudo muito embaçado e me deixando insegura, não enxergava o letreiro do ônibus, quando via já tinha passado, conta.
Agora, brinco com meu marido e filhos, que tenho olhos de criança, porque posso ler muito além das duas páginas suportáveis anteriormente, faço crochê e estou voltando a pintar, comemora.
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